Foto: Reprodução /Jeito Baiano
Por Rayllanna Lima
Todos os caminhos levam à Colina Sagrada nesta quinta-feira (17), quando ocorre a tradicional Lavagem do Bonfim, e milhares de baianos se vestem de branco para percorrer cerca de oito quilômetros entre a Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia e a Basílica do Senhor do Bonfim, ambas na Cidade Baixa.
A festa começa a partir das 8h e é marcada pelo sincretismo religioso, envolvendo muita fé e devoção. No catolicismo, as homenagens são para Senhor do Bonfim. Já para o povo de santo, celebra-se Oxalá.
O culto ecumênico será aberto com a bênção do padre José Ribamar, que fará a primeira cerimônia inter-religiosa do dia. Após a celebração, haverá alvorada de fogos, anunciando a partida da procissão, saindo da frente da Basílica de Nossa Senhora da Conceição, seguindo para a Colina Sagrada.
Uma novidade marca a lavagem deste ano: uma bandeira que mede aproximadamente 100 metros será levada pelos fiéis durante todo o cortejo. Branco também foi escolhido para marcar a Festa do Bonfim 2019, que engloba a lavagem. Na igreja, os devotos também usarão vestimentas da cor e rezarão pela paz na festa católica a ser realizada no domingo (20), Dia do Senhor do Bonfim.
"Nós queremos valorizar a tradição do povo baiano de vestir branco para subir a ladeira da Colina Sagrada. Assim, vestiremos branco durante toda a programação da festa para participar das atividades pedindo, suplicando ao Senhor do Bonfim a paz”, afirma o reitor da Basílica Santuário, padre Edson Menezes.
O uso de vestimentas brancas é uma mesclagem da devoção dos fiéis católicos e os fiéis de religiões de matrizes africanas. De acordo com a crença sincrética, Senhor do Bonfim é filho de Oxalá, também conhecido como Senhor do Pano Branco.
Em todos os anos, a lavagem é realizada na quinta-feira que antecede o segundo domingo após o Dia de Reis (6 de janeiro). Geralmente cai na segunda quinta-feira do mês de janeiro, mas este ano o festejo caiu no dia 17, na terceira, três dias antes da Festa do Bonfim (20 de janeiro).
Tradição
Um dos momentos mais esperados da Lavagem do Bonfim é quando as escadarias da Basílica Santuário são lavadas pelas baianas, ao som do Hino ao Senhor do Bonfim, quando é encerrado o ato religioso, entre 13h e 14h. Essa lavagem tem sentido de purificação e é feita com água de cheiro, banho de água de folhas e flores.
As chamadas baianas são mulheres geralmente ligadas aos cultos afro-brasileiros, como o candomblé, empunhando quartinhas de água de cheiro e caracterizadas com suas vestes e adornos que as tornaram mundialmente conhecidas.
Além de lavar as escadas, elas também lavam os pés de fiéis e distribuem água de cheiro e banhos de pipoca, um ato com intuito de realizar limpeza espiritual.
Profano - A tradicional Lavagem do Bonfim também é marcada pela junção entre o sagrado e o profano, se tornando ainda uma festa que atrai os olhares de turistas do mundo inteiro.
Ao longo do cortejo, que conta com agremiações de entidades tradicionais como o Ilê Aiyê e Filhos de Gandhy, desfilam também bloquinhos carnavalescos, fanfarras e até DJs em microtrios.
História
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